Histórico

Criado em 1991 constituiu-se inicialmente em pesquisa para examinar a recepção da arte moderna, (Hans Robert Jauss), tanto nas instituições museais, quanto em espaço público, trabalhando na inter-relação entre memória versus esquecimento. Isto se deve ao fato de que a questão de que a eleição de dada cultura material na condição de patrimônio, em especial no Estado Novo, em grande parte se direcionou para encobrir e difundir projetos ideológicos. O tema museal nesta linha de atuação procurou investigar as soluções materiais adotadas e as questões sobre a transformação de acervos em cultura para dados grupos e lugares no sentido antropológico do tema, segundo Marc Augé o qualifica.

Na atualidade investiga-se como a partir do Golpe Militar (1964) ampliaram-se as representações, apropriações e práticas (Roger Chartier), distribuindo-se importantes acervos, inclusive para várias universidades. Esta operação coincide com o momento em que os militares são apoiados por inúmeros empresários da Paulicéia e do meio uspiano. A cultura engendra representações alegóricas sobre conflitos e divergência, na esfera de instituições, a exigir freqüentação, pesquisa e interpretação. Neste período militar (1964-85) surgiram ligações entre outras camadas paulistas e os agentes militares e se apropriaram de bordões como fomento da unidade territorial, avanço material e mão de ferro para os tidos como inimigos, lamentavelmente bordão repetido, até nossos dias. Dentro deste cenário se erigiu extensa rede museal em São Paulo, em franco contraste com ações de resistência e confronto, desencadeadas em museus de arte.

Entre tantas apropriações presentes se encontram representações sobre o Movimento de 1932; ampliação do ensino superior; eixo de ligação e fixação do território/ nação; a terra origem da Independência; presidentes e figuras históricas paulistas em vários períodos; a vida interiorana e seus objetos; em particular, o elogio à tradição, família e propriedade. Hoje estes museus se tornaram um problema, passando do estado para município e vice-versa, sem referências sobre como, por que e para quem foram criados. Mais uma vez o passado pouco dialoga com o presente e só muito recentemente se procura discutir e avaliar o período ditatorial, as comemorações em museus, o colaboracionismo e, mesmo, todo aparato estatal criado em grande parte para imortalizá-lo no campo de museu/patrimônio. Tempo, memória e esquecimento continuam sendo cancros a serem investigados em figuras, constelações e objetos materiais.