Chamada Aberta para Revista ARA 10 • Experiência Sintoma Fresta

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O tema da Revista ARA, em sua 10 edição, nos convida a pensar em três
palavras, sem considerar hierarquia de importância ou significado
entre elas: Experiência, Sintoma e Fresta. Criar, observar, escrever, fotografar
refletindo o tempo presente expandido, considerando o tempo passado e o
tempo futuro. Até 21 de setembro 2020 estaremos recebendo artigos, ensaios, fotos,
desenhos e o que mais surgir para o próximo número, a ser lançado em 2021.

Atravessamos o desconhecido, em meio à viagem sem ponto ou momento de
parada definidos, passamos por lugares onde perigos podem nos assaltar e a
única certeza é que seremos surpreendidos. Experiência, em alemão Erfahrung
(erf-fahrung, s.f.), do verbo fahren, significa viajar, atravessar, dirigir, e do
latim experientia, tentativa, prova, ensaio. A palavra experiência traz
incorporada a ideia de alargar a nossa condição no mundo, pela tentativa e
erro, sugerindo o tatear, viver e refletir sobre o vivido. Constituímos um
desenvolvimento técnico que nos permite entender o que se passa e visualizar
o futuro. Estávamos num cotidiano extremamente acelerado, indivíduos em
tempos desiguais, quando fomos forçados a aterrissar no continente do
ciberespaço. O isolamento provocado pela pandemia do COVID 19 inseriu
definitivamente a telepresença em nossas vidas, somando parte do presente
midiático e ecos do tempo real. Nas grandes cidades, os que estavam
acelerados e se deslocavam rápido para produzir mais, hoje se isolaram em
suas casas, abrindo literalmente o espaço das ruas aos que agora precisam se
deslocar loucamente acelerados para produzir a mínima subsistência.

Confira chamada na Integra acesse aqui. 

 

CARTA ABERTA À COMUNIDADE MUSEAL BRASILEIRA | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS 18 de maio de 2020

Acesse a carta no link do ICOM

CARTA ABERTA À COMUNIDADE MUSEAL BRASILEIRA | DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS 18 de maio de 2020

Estamos celebrando o Dia Internacional de Museus 2020, com o tema Museus para igualdade: diversidade e inclusão, em meio ao pico da pandemia da COVID-19 no Brasil. Em plena agitação das ações digitais de museus em todas as regiões do país, pedimos um momento de silêncio. Silêncio pelo sofrimento das perdas e pela angústia das incertezas. Silêncio, como reflexão coletiva, para repensarmos nossos valores comuns e mobilizarmos as mudanças necessárias para uma ação museal capaz de contribuir para a travessia dessa crise global. No Brasil, a crise da COVID-19 é também a manifestação da profunda desigualdade social e da falta de amparo para os trabalhadores em situação precária e para os mais empobrecidos. Os museus – seguindo as orientações da OMS – seguem fechados e enfrentam o desafio das perdas econômicas, as reduções de jornadas de trabalho, as demissões de suas equipes e a fragilização de suas infraestruturas. A maioria dos profissionais está confinada, mas há trabalhadores em funções imprescindíveis, com os de conservação, segurança e manutenção, que seguem arriscando suas vidas para proteger nosso patrimônio. A eles prestamos homenagem e agradecemos especialmente nesta data simbólica. Neste momento de crise, os museus devem tanto buscar proteger os seus profissionais – vários deles técnicos em atividades muito especializadas –, quanto servir de plataforma para as aspirações e as necessidades de suas comunidades e de seus territórios. Nessa travessia em tempos de tormenta, os museus podem – com potência – nos ajudar a resistir, ativando memórias, nos lembrando quem realmente somos e quais são os nossos valores; registrando o presente, os desafios do cotidiano em confinamento, os lutos, e a grande transformação social que estamos vivendo; e projetando o olhar para o futuro que virá após a crise. Esse futuro começa agora, e a solidariedade será imprescindível para a construção de um mundo mais igualitário, diverso e inclusivo. Nessa semana de museus propomos que os museus brasileiros se norteiem pelo princípio da solidariedade, com os seus profissionais, com suas famílias e com a sociedade. Os museus devem repensar sua função diante do impacto econômico e do fosso de desigualdade exposto entre nós, reconhecendo sua responsabilidade para com a regeneração social e cultural brasileira. Não há mais como existir sob o lastro de uma elite social, a espera de financiamento público. Desde a Mesa Redonda de Santiago de Chile, há quase 50 anos, os profissionais de museus da América Latina debatem sistemática e proficuamente a função social dos museus. Na última década, observamos o estabelecimento de pequenos e potentes museus de comunidades vulneráveis, como os museus de favela, quilombolas e indígenas. É nesse contexto, diverso e plural, que o Estado deve proteger e apoiar as instituições museais continuamente, estabelecendo políticas, disponibilizando meios e recursos. A ação dos museus no presente, acolhendo os cidadãos, voltada para o bem-estar coletivo é imprescindível e urgente. Os museus são instituições contemporâneas relevantes e potentes, atuantes na preservação e pesquisa dos seus acervos e na comunicação com seus públicos. Em meio aos profundos impactos desta crise, os museus do Brasil podem, também, liderar uma atuação solidária e cidadã e aprofundar a relação com seus territórios, conectando seus acervos e programas com os desejos, as necessidades e os interesses das comunidades. Precisamos reconfigurar a experiência museal para a comunidade, na comunidade, com a comunidade, de forma socialmente inclusiva e economicamente sustentável. Como aprendemos com Ailton Krenac, para combater esse vírus, para pensarmos um outro mundo possível, temos de ter primeiro cuidado e, depois, coragem.

 

http://www.icom.org.br/wp-content/uploads/2020/05/Carta_aberta_DIM2020.pdf

 

Caros leitores da REVISTA ARA

Caros leitores,
inicialmente e em nome da Equipe e do Conselho Editorial/CE da Revista ARA FAU USP desejo um ano de realizações. Chamo a atenção a alguns aspectos essenciais, uma vez que o prazo final para postagem se encerra em 16 de março de 2020. Assim, textos e imagens para avaliação de mérito, precisam ser postados em condição favorável para valorizá-los na análise de CE e pareceristas. 
 
Sublinho a necessidade do estudo ser enviado com: 1) bibliografia e diagramação fixadas em Modelo ARA  e  versão ABNT,
2) REVISÂO ortográfica e AJUSTE PLENO ao projeto editorial documentado em NORMAS/ARA. 
3) Submissão INÉDITA, a incluir ausência de auto plágio, como antes alertamos em NOTÍCIA, com base em determinações de Agências de fomento. Tenta-se evitar repetir investigação antes exposta, sem trazer novas abordagens conceituais, pesquisa e questões.
 
Ao ser constatada NÃO OBSERVÂNCIA, será devolvido ao autor. Ainda haverá uma última oportunidade: o prazo máximo de dois dias para formatar de acordo com as normas gramaticais, editoriais e bibliográficas, aceitando-se nova Submissão – se corrigida. Caso o conjunto não respeite tais fatores unificadores, com pesar, será devolvido a quem endereçou.
Att
Maria Cecília França Lourenço
Editora Revista ARA FAU USP 

Chamada Aberta Edição ARA YMÃ 8

 

Está Aberta até o dia 16 de março de 2020, 

Chamada para Edição da Revista ARA YMÃ 8, com o tema:

 

IMAGEM DESLOCAMENTO

confira o texto de apresentação do Prof. Ricardo N. Fabbrini a seguir: 

 
O tema do dossiê de ARA 8 é o estatuto da imagem na contemporaneidade. Estamos vivendo, para certos críticos e artistas, um drama da percepção, ou seja, uma guerra das imagens: uma agonística, entendida como o momento decisivo (ágon) no qual o sentido ou o destino das imagens está sendo decidido. Mas “o que está acontecendo, afinal, com as imagens?”. É possível produzir na atualidade uma imagem que opere algum deslocamento em face dos clichês? O que seria uma imagem-enigma, ou de resistência, que se subtrairia à hegemonia das imagens vazias, planas; sem face oculta, ou mistério? Como produzir uma imagem que rompa com o horizonte do provável, interrompendo toda organização performativa e tautológica das imagens que circulam ininterruptamente nos meios de massa e na rede digital? O que é uma imagem que não seria um clichê? Onde acaba o clichê e começa a imagem pensativa, de beleza inquietante, que força sensivelmente o pensamento? Não se pode ignorar, no entanto, que as reações contra os clichês engendram, não raras vezes, outros clichês.   

Frente à saturação de imagens própria a sociedade do espetáculo que nos tornou cegos, de tanto ver, é necessário, assim, uma reeducação dos sentidos que devolva à percepção sua capacidade de apreender as nuances de uma dada imagem. Constatando-se a necessidade de reorientação da percepção, é preciso que o observador substitua a pergunta habitual, própria do hedonismo ansioso: “o que veremos na próxima imagem?”, pela indagação morosa: “o que há para se ver nesta imagem que temos diante de nós?”. Porque é na percepção marcada pela demora, pelas hesitações, pela perda de tempo e pelo tempo perdido, pela paciência em desvelar o segredo de uma imagem de exceção, que teríamos a negação da temporalidade do consumo capitalista, com suas palavras de ordem: gozo, narcisismo, competitividade, performance, ou sucesso.

Clique aqui para baixar o texto completo em pdf .

Chamada Aberta para REVISTA ARA 6 Curadoria, Argumento, Fricção

Chamada aberta até o dia 5 de Fevereiro de 2019 

Curadoria, Argumento, Fricção

Marcos Rizolli

Professor no Programa de Pós-Graduação em

Educação, Arte e História da Cultura (UPM),

Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, Brasil.

marcos.rizolli@mackenzie.br

Entre argumentos [pesquisa, comunicação, educação, público, sociedade] talvez, se estabeleça o fazer curatorial.

Entre fricções [coleção, exposição, mediação, gestão, profissão] talvez, se manifeste o curador.

Aquela função e aquele sujeito, detentores de uma funcionalidade moderna, que desenvolvem projetos relacionados à elaboração de campos teóricos e reflexivos acerca das manifestações artísticas e seus processos.

O curador (comissário ou conservador) pode atuar em galerias de arte, museus, centros culturais e instituições afins e se define como o responsável pela concepção, ordenação, montagem e supervisão de uma exposição ou da amostragem de acervos e conjuntos artísticos, culturais e documentais. Geralmente considerado especialista, transita entre conceitos de linguagem, arte, história, filosofia e estética.

Da origem latina, curador [o sujeito: tutor] e curadoria [o substantivo: tutoria técnico-administrativa] fundem-se e se fundamentam na ação de comunicar, conservar e preservar obras artísticas e patrimoniais – materiais e imateriais, entre natureza, homem e cultura.

Essa consciência funcional e profissional teve seu surgimento em meados do século XX e adquiriu, no breve período de sua existência, significativa presença e relevância para a concepção de exposições.

Dos argumentos às fricções, o exercício dessa atividade tem por objetivo determinar o conteúdo da exposição, normalmente obtido por meio de agrupamentos e articulações de semelhanças ou diferenças perceptivas ou conceituais que as obras possam revelar. Para isso, geralmente determina-se um conceito ou tema, a partir do qual, funcionando como um fio condutor, elabora-se procedimentos para obtenção de uma unidade – ou, idealmente, a sua ordenação.

Mais do que cuidar e preservar, a curadoria deve apresentar argumentos e promover as suas fricções entre diferentes artefatos – obras de arte, objetos, documentos e toda sorte de materialidades e tecnologias – e diversificados públicos, em ambientes e espaços sociais.

A inerente demanda de articulação, vinculada ao curador e à curadoria, requer aguda multidimensionalidade: antevisão e planejamento, seleção e combinação, averiguação de mérito e medição de valor, exposição e mediação, comunicação e educação, arte e cotidianidade, patrimônio!

Decisões curatoriais exigem escolhas e renúncias, orientadas por concepções (limitadas) e seus recortes (aparentemente ilimitados).

Assim, a curadoria deveria proporcionar um diálogo tensional entre os artefatos expositivos e os conceitos neles encapsulados, responsabilizando-se por supervisionar a montagem da exposição, sua manutenção, a elaboração de textos de apresentação e divulgação, a fim de propiciar maior visibilidade e proximidade entre as obras e o público.

A curadoria, em sua concepção, deveria requerer: investimento criativo; inteligência relacional, capacidade de compartilhamento com artistas e público; conhecimentos artísticos, técnicos e culturais; pró-atividade em projetos infraestruturais.

A curadoria, então, deveria desempenhar um imprescindível papel na produção e na gestão cultural contemporânea, ao configurar: diversidades culturais, diversidades de públicos, diversidade de entendimentos, vozes, formas, pensamentos; intensas relações entre o público e o privado, entre o bem de todos e as novas formas de privatização; distribuição universal dos bens culturais como elementos fundamentais da expansão das práticas e consciências de linguagem; circulação de conhecimentos em arte e da produção simbólica como motor de sustentabilidade e mudanças na cidadania. Tudo para promover díspares visões e possibilitar novas formas de conhecimento – do não-verbal ao verbal.

No passado clássico, em O Simpósio, Platão declarou que beleza é ordem.

Seria esse, então, o fundamental empenho da curadoria, no presente?

Mas, como dar ordem ao contemporâneo pautado pela alucinante geração, circulação e interpretação de dados e, tão agudamente compreendido pelas fenomênicas artísticas contemplativas, interacionistas, interativas? Tudo ao mesmo tempo?

Ordem seria, então, a ideia de inteligibilidade?

Seria, desse modo, a tarefa do curador e da curadoria, com seus argumentos, promover fricções! Nos sentidos e nos pensamentos! Dar nova ordem, para nos depararmos com novas e outras belezas?

REFERÊNCIAS

Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas – ANPAP. Regimento: Artigo 25º; 2013.

Conselho Internacional de Museus – ICOM. Conceitos-chave da Museologia; 2013. Fundação Nacional de Arte – FUNARTE. http://www.funarte.gov.br/